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Aliados poderosos: natureza e ciência

Quem nunca tomou uma Aspirina® para dar fim àquela dor de cabeça incômoda? Comercializada pela indústria farmacêutica alemã Bayer há mais de 100 anos, a Aspirina® é o medicamento mais popular em todo o mundo para o alívio da dor e da febre, com produção anual de 40 mil toneladas. Até seu composto químico, o Ácido Acetilsalicílico, ganhou popularidade e ficou conhecido pela sigla AAS. Mas talvez poucos conheçam a origem desta vedete mundial. O AAS foi o primeiro fármaco da história a ser sintetizado em laboratório, com base na estrutura química de uma substância natural isolada do Salgueiro Branco (Salix alba). A proeza foi conquistada pelo químico alemão Felix Hoffmann em 1897.

Este medicamento, que hoje é sintetizado em laboratório e produzido às toneladas, tem sua origem na natureza. Eram das folhas e cascas do Salgueiro que se retirava o bioativo com propriedades antitérmica e anti-inflamatória. O poder da cura estava ali, em um princípio ativo poderoso, oferecido pela biodiversidade. Mas a síntese em laboratório foi extremamente importante, afinal, de quantas árvores de salgueiro precisaríamos para aliviar as dores de cabeça do mundo?

O desenvolvimento levou à industrialização intensiva e, no último século, centenas de medicamentos foram sintetizados em laboratórios e produzidos em grande escala para atender uma gama de necessidades e demandas da população, de uma simples dor de cabeça a um tratamento contra o câncer. Com o advento da Homeopatia, introduzida em 1796 por Samuel Hahnemann, considerada uma forma alternativa de medicina, começou o embate com a Alopatia, a medicina tradicional. Na Alopatia, os medicamentos servem para combater os sintomas, ou seja, se um paciente tem febre, o médico receita um remédio capaz de diminuir sua temperatura. Já na Homeopatia, os medicamentos prometem despertar as defesas do próprio organismo, fazendo-o reagir de forma natural.

E transitando no meio dessas duas categorias há uma classe de medicamentos que pertence aos dois grupos. São os Fitoterápicos, medicamentos cujos princípios ativos advêm da biodiversidade vegetal. Das plantas medicinais se obtém bioativos capazes “alopaticamente” de combater sintomas como também “homeopaticamente” de estimular o organismo a se defender. A evidência que os fitoterápicos são extremamente importantes e bem percebidos vem dos precursores na sintetização de fármacos em laboratórios. Na Alemanha, 80% dos médicos prescrevem fitoterápicos aos seus pacientes, que por sua vez também solicitam essa classe de medicamentos por iniciativa própria. Nesse contexto, os fitomedicamentos vivenciam uma realidade inusitada, sendo recomendados pela própria Organização Mundial de Saúde (OMS) e adotados por uma expressiva parte da população mundial por representarem produtos naturais e com menores efeitos colaterais e, em contrapartida, são pouco prescritos pelas comunidades médicas, notadamente a brasileira, seja por uma percepção de eficácia desconhecida, seja porque foram doutrinadas no medicamento alopático sintético.

A possibilidade de aumentar as sínteses de princípios ativos vegetais, propiciada pelo avanço tecnológico atual, abre espaço para medicamentos que unem o melhor dos dois mundos, como no exemplo da Aspirina® citado e tantos outros existentes. Só para se ter uma noção dessa realidade, cerca de 50% a 70% dos medicamentos existentes vêm da biodiversidade. Quando se trata de antibióticos e anticancerígenos, esse percentual fica próximo dos 70%.

Nesse viés tecnológico, surge uma inovação de uma indústria brasileira, a Phytoplenus Bioativos S.A., que desenvolveu um avançado processo tecnológico capaz de extrair uma grande diversidade de princípios ativos de plantas medicinais de aplicação tópica, partindo do conceito que a natureza é sinérgica e que somente a interação de todos os bioativos é que permitem uma ação terapêutica otimizada da planta medicinal. Dentro desse novo conceito tecnológico, um produto que está obtendo muito sucesso e com resultados impactantes é o fitocomplexo Plenusdermax® à base de Calendula officinalis. Exemplo da união entre natureza e tecnologia, o fitomedicamento em forma despray está sendo usado de forma altamente eficaz no tratamento de úlceras crônicas, como úlceras diabéticas, de origem venosa e de pressão, conhecidas popularmente como escaras.

Um estudo clínico para avaliar sua eficácia foi realizado de 2012 a 2013 em pacientes do Setor de Dermatologia da Santa Casa de Curitiba, com apoio da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). Os resultados da pesquisa comprovam o alto índice de sucesso na cicatrização dessas lesões crônicas, apresentando uma resolutividade, inclusive, superior aos mais avançados produtos de mercado, cujos custos de tratamentos podem chegar a ser 100 vezes mais onerosos. Dessa forma, a cura que somente seria viável a pessoas de maior poder aquisitivo passa a ser acessível para a maioria da população. Um bom exemplo é o Brasil, em que se estima que 75% da população é atendida pelo sistema público de saúde. Essa população raramente tem acesso às terapias mais avançadas e eficazes, devido ao seu alto custo e, em razão disso, muitos convivem com a ferida por anos sem qualidade de vida, sem expectativa de cura, privados de vida social, vida afetiva, qualidade de vida, e, pior, sem poder trabalhar.

Hoje, todos que participaram do tratamento: pacientes, médicos e enfermeiras são testemunhas da eficácia do medicamento cicatrizante, cujos princípios ativos vêm de uma planta medicinal conhecida há milênios, a Calêndula. Graças aos avanços científicos e aos novos conceitos tecnológicos foi possível criar um processo produtivo inovador que possibilita uma ampla disponibilidade de bioativos, capazes de trabalhar sinergicamente para uma resolutividade superior nos processos de regeneração tecidual, tanto agudos, quanto, notadamente, crônicos. É o poder da natureza aliado aos avanços conquistados pelo homem. A perfeita harmonia sustentável entre natureza e ciência.

* Antonio Paulo Mallmann, médico ginecologista e professor de ginecologia, obstetrícia e microbiologia clínica da Escola de Medicina da PUCPR


Fonte: Diário Indústria & Comércio